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Transmitindo direto da Estação de Trabalho Macintosh a 233 MHZ com iMac Bondinho rodando Mac OS 8.5 pronto para lançar literatura, poesia, informática, jornalismo e elucubrações pseudo-filosóficas sobre o ser e o nada.


quarta-feira, fevereiro 13, 2002 9681683"> 

Estado e Capitalismo

Em uma crônica exibida no Jornal da Globo da semana passada, Arnaldo Jabor afirmou que a globalização, em determinados aspectos, queria pôr o mercado como regulador das relações sociais, ficando este acima do Estado. Jabor – figura que sempre desperta sentimentos de amor e ódio naqueles que ainda lhe dão ouvidos – fez tal afirmação ao comentar o caso da Enron.

Mais uma vez apregoa-se contra a globalização, aumentando ainda mais a incompreensão deste fenômeno contemporâneo. Não caberá a mim explicar o que é e o que será no futuro isso que se convencionou chamar de globalização. Isso é tarefa para o tempo, que está acima e além de nossa míope “visão globalizada”. Mas não resisto a pegar o gancho de Jabor e tecer alguns comentários.

“Capitalismo não é regime político, é meio de produção”, afirmou Jabor. Corretíssimo. E espero que ninguém pense que seja diferente, pois não é. Contudo, infelismente, talvez haja algumas pessoas de importância política global que talvez não tenha enxergado isto ainda. Isso é um problema. Assim como há pessoas que repudiam o capitalismo por sua miopia ou pela distorção que a miopia que outros causam.

A verdade é que não se trata de o capitalismo assumir as funções do Estado como regulador de certas relações. Da mesma forma não cabe ao Estado interferir em certas relações do capitalismo com o mercado. A medida é o segredo de todas as formas. É neste ponto que reside o grande problema. Aliás, isso é fundamento econômico. E é a partir do isolamento do problema que se começa a busca pela solução. Simples demais? Bem, o que se pode esperar de um sub-intelectual, desempregado e sem formação superior? Mesmo assim, insisto.

Não se trata de inverter ou subverter os papéis e as funções do Estado e do Mercado, mas o ponto está em aproveitar o que cada um tem de melhor a oferecer. Não cabe aqui, na discussão desse tema, puritanismos e idealismos utópicos do século passado. É preciso ser prático. E ser prático consiste em tomar consciência da realidade que nos rodeia, de nossas limitações em mudar esta realidade e em nossa capacidade de interagir com a mesma. Somente a interação com algo além de nossa compreensão e controle, pode nos posicionar de forma algo confortável e nos permitir alguma previsibilidade dos acontecimentos. O isolamento só nos torna mais marionetes do acaso e das “forças predominantes”. E é a interação inteligente entre as principais forças que congregam uma nação – Estado, Sociedade e Capital – é que pode nos trazer frutos proveitosos para o bem-estar de todos. Nadar contra a maré apenas cansa mais e não leva a lugar nenhum. Assim como deixar o barco correr só leva ao abismo. É preciso fluir com a corrente e remar coordenadamente, para não deixar o barco virar.

posted by Rogério de Moraes :: 12:56

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A Um Passo do Prolixo.

A quase medida é o que marca a fantástica literatura de Saramago. Não que exista alguma medida, pois não se pode mensurar estilos e, principalmente, talentos como o de José Saramago. Confesso-me um admirador inveterado e apaixonado da concisão. Só não chego ao disparate de afirmar que não há salvação fora da concisão, em respeito à obras como “Verdade Tropical” de Caetano Veloso que é, na minha humilde – e também imodesta – opinião, um verdadeiro tributo à prolixidade literária. Mas não à prolixidade em seu sentido literário, como algo enfadonho, mas num sentido muito particular, que é de algo extenso, mas não necessariamente monótono.

E o que mais me surpreende e encanta em Saramago é exatamente esta medida que está sempre a um passo da prolixidade exaustiva. Sua pena tem sempre a medidada exata. Ela corre fluentemente, despreocupadamente, narrando-nos os fatos e segue insolente e distraída, até aquele ponto em que achamos que se tornará enfadonha e repetitiva. E de súbito pára, estanca, mostrando estar plenamente consciente do que faz, do que diz e de até onde pode ir. E surpreende-nos pela precisão, pelo timing, pela quase-prolixidade.

E é isto que me fascina em Saramago. Sua imensa capacidade de parecer que está a se perder em devaneios e rapidamente retornar ao cerne do momento e retomar o que realmente importa. Tudo isso sem nunca transpor a linha tênue, abstrata até, que separa o discurso centrado do discurso vago, evasivo e à deriva. Em sua literatura, Saramago sempre chega à beira do abismo enfadonho, mas nunca cai, muda de rumo e nos surpreende, sem nunca perder a orientação e sem nos deixar nunca perder o sentido.

posted by Rogério de Moraes :: 12:55

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Um pouco de Saramago

“Refiro-me a Veneza, a perder-se Veneza, De perder-se Veneza será geral a culpa, e antiga, por desleixo e ganância já se perdia, Não falo dessas causas, por elas se perde o mundo todo, falo sim do que eu fiz, atirei uma pedra ao mar e há quem acredite que foi razão de arrancar-se a península à Europa, Se um dia tiveres um filho, ele morrerá porque tu naceste, desse crime ninguém te absolverá, as mãos que fazem e tecem são as mesmas que desfazem e destecem, o certo gera o errado, o errado produz o certo, Fraca consolação para um aflito, Não há consolação, amigo triste, o homem é um animal inconsolável.”
posted by Rogério de Moraes :: 12:54

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sábado, fevereiro 02, 2002 9308456"> 

Big Brother

Vão colocar um cachorro na casa do Big Brother para fazer companhia aos participantes. Isso é uma sacanagem, pois agora todos os participantes estão em desvantagem, pois os cachorros são muito mais simpáticos e inteligentes que eles.

Bloguei!!!
posted by Rogério de Moraes :: 18:04

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É um tédio absurdo e absoluto
A fustigar-me a alma.
Da luz fria da luminária
E do calor opressor da casa fechada
Brotam-me idéias de desespero e fatalidade.
Nada salva-me do ocaso que a tarde vem
Nem entrega-me por completo a noite
Que pouco alívio trás.

Oprime-me o compasso insistente
Dos ponteiros do relógio
Que soam-me na carne, cortando o tempo
Que o próprio tempo já se esqueceu de contar

E arde-me um lugar às costas
E pesa-me uma parte do corpo
E cansa-me uns olhos tristes
E molha-me a face oleosa
Já desprendida de toda sorte

E fazem-me companhia os sons
Sons do silêncio da casa vazia...
A luminária a vibrar
O relógio com seu incansável mover de nervos
O motor da geladeira velha
E a pena a ranger no papel.

Rogério de Moraes

02/02/2002

posted by Rogério de Moraes :: 17:55

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Minha literatura é um limbo, um vago sem forma entre a concisão de Rubem Fonseca e a quase-prolixidade de José Saramago. Mas sem o talento de nenhum dos dois.
posted by Rogério de Moraes :: 17:52

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